Que prolixo é esse negócio de amor, de amar. Substantivo ou verbo é sempre um problema e para não ter encrenca o melhor é não conjugá-lo!
Esperamos sempre encontrar o tal amor, que parece andar desnorteado, feito um cupido míope que não encontra o lugar certo para flechar. Não obedece a pedidos e fica sempre a confrontar.
Apesar de todas as travessuras, queria eu ter um amor para chamar de meu. Quando não tenho um, contrariadamente digo que não preciso de um amor para chamar de meu e, que o meu eu é suficiente para ocupar o espaço de nós dois.
Acontece que eu engano apenas as palavras, porque os meus pensamentos sabem que eu quero um amor para chamar de meu e sabe também que esse amor precisa vir moldado e peculiarmente detalhado para que eu possa chamar de meu amor.
Quero um amor que faça cafuné, que leve café da manhã na cama, que me ache linda e que me diga isso várias vezes por dia.
Quero o meu amor sincero, modesto, inteligente e astuto e que sua única pretensão seja arrancar de mim meu sorriso mais bonito.
Só que esse amor precisar vir acompanhado de uns brindezinhos, singularidades simples, mas eficazes!
Precisa ter bom humor, dotes domésticos principalmente culinários, tem que gostar de cachorro, de bossa nova e MPB, sertanejo e pagode são aceitáveis, para funk não há exceção.
Não precisa ser o Brad Pitt, pode ser o Henrique, Gabriel, Eduardo, João, José, isso não importa muito, precisa ser aquele que melhor combinar com o meu amor.
Tem que gostar de música e de dançar é indispensável, mas ter charme é fundamental.
Gostar de sair, se divertir, de viajar, de descobrir novidades só para me agradar, me surpreender sempre e me fazer apaixonar!
Deixaria-me muito feliz se ele fosse Corinthiano, gostasse de basquete, futebol e cerveja gelada. Solicitação meio masculinizada, mas essencial para o meu grande amor e caso ele torça por outro time, bom ai eu vejo depois...
Tem que ser dedicado, trabalhador, estudado e bem educado.
Tem que gostar de Chico Buarque e Vinicius de Moraes, eles possuem as melhores instruções de amor.
Não precisa ser atleta, nem gostar de Caetano, porque ai eu concordo seria demais!
Tem que ser sensível, se divertir comigo e me fazer sorrir.
Tem que gostar de pizza, de teatro e de São Paulo. Saladinha e barrinha de cereal nem pensar!
É essencial que seja perfumado, esse item não aceita exclusão, mas vou contar que o perfume tem que vir acompanhado de atitude. Inclinações veladas são charmosas, todavia as intenções devem ser reveladas com categoria e sem medo.
Não precisa ser banqueiro, mas tem que me encher de mimos e se lembrar sempre das datas comemorativas.
Não precisa ser Dom Quixote, mas tem que ser cavalheiro e sonhador.
Não precisa ser poeta, mas de Neruda precisa ao menos saber que é chileno.
Não precisa ser forte, mas tem que ter sorte, cause eu sou a little bit desastrada, será necessário.
Não precisa ser granfino, mas tem que ser biscoito fino e elegante de espírito.
Não precisa ter o meu humor felino, mas tem que ter a réplica na ponta da língua, adoro debates. Oscar Wilde poderá te ajudar com isso.
Tem que ter um bom papo e gostar de tirar retrato, sem reclamar.
Se falar francês, italiano, alemão e inglês, ai não vai ter jeito, roubou meu coração de vez.
Se o meu amor for assim, eu até me caso, de olhos fechados para deixar passar o não primor.
Enquanto o meu amor não vem, fico imaginando como será o meu bem, se ele está perto, longe, onde afinal ele está? Nos meus pensamentos ele já ocupa cadeira cativa.
Gostaria que fosse de repente envolvente e extremamente atraente, que não me permita pensar.
Eu que não sou exigente só quero o meu amor parecido comigo, para não termos conflitos.
Afinal, apesar de imaginarmos como gostaríamos que esse “candidato” fosse, sim, candidato, porque de fato nossas exigências são tantas que parece entrevista de emprego. Mas eu digo, aquilo que pensamos que queremos, está longe de ser um amor de verdade e está muito próximo de expectativas, infelizmente frustradas.
Com tantas exigências nos sabotamos e deixamos passar pessoas excepcionais pela nossa vida por medo. Por detrás de todos esses critérios, habita o medo de viver de verdade uma paixão, um amor arrebatador. Então chega a parte difícil, porque esse pretendente tem que vencer essa armadura de medo vestida por muitas de nós, ser um cavalheiro de verdade, que não precisa mais enfrentar dragões ou subir torres, mas levar em sua espada respeito, gentileza e confiança.
Falar de amor já é um sinal de que atrás dessa armadura de independência e de mulher toda poderosa, ainda mora um coração frágil e cheio de sentimentos.
Não perco a esperança, porque no fim das contas eu sei que é tudo muito simples sabe por quê?
Porque não escolhemos o amor, somos escolhidos por ele.
“ Elizabeth: Eu me pergunto quem descobriu o poder da poesia para espantar o amor. Darcy: Achei que fosse o alimento do amor. Elizabeth: Do amor belo e vigoroso. Mas se é apenas uma vaga inclinação, um pobre soneto o liquidará." Pride and Prejudice – Jane Austen

Como sempre você é primorosa em suas escolhas, a liberdade no uso das letras... faz a diferença entre o que somos e o que pretendemos ser. Você é completa, agrada-me muito a sua versatilidade, beijos e sucesso sempre. Adorei.
ResponderExcluirOi Rosa! vindo de uma mestra como você é de fato um grande elogio. Muito obrigada e saiba que você faz parte disso tudo! Beijos
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